O começo: quando a visão falhou antes da vida
Meu nome é Carlos Eduardo Vieira. Fui um bom aluno — até a minha visão começar a falhar no início do ensino fundamental. Minha família não tinha condições de comprar óculos, e eu não conseguia enxergar a lousa nem sentado na primeira carteira da sala. Tentei levar assim por alguns anos, mas chegar na escola e não conseguir acompanhar o que o professor escrevia foi me afastando aos poucos.
Na sétima série, larguei a escola de vez. Na época, achei que não tinha alternativa. Hoje sei que fui mais uma vítima de uma combinação cruel: pobreza, ausência de políticas de acesso e uma escola que não sabia — ou não podia — me acolher.
O fundo do poço
Sem escola e sem perspectiva, me envolvi com pessoas e situações que não me fizeram bem. Usei drogas. Fui expulso de casa pelo meu pai, que naquela época estava com câncer e tentando manter a família de pé do jeito que conseguia. Não guardo rancor — cada um faz o que pode com o que tem.
Morei numa casa abandonada. Passei fome de verdade — não a fome de quem pula uma refeição, mas a fome que dói no estômago por dias. Catei papelão para conseguir algum dinheiro. Aquele período me ensinou o peso real da exclusão social: sem estudo, sem endereço fixo, sem rede de apoio, as portas simplesmente não abrem.
O livro encontrado no lixo
A virada veio de um lugar que eu jamais esperaria: um livro. Enquanto catava papelão, encontrei um exemplar da Odisseia de Homero jogado junto com o lixo. Não sei por que peguei. Talvez curiosidade. Talvez algo dentro de mim precisasse daquilo.
Aquela história de um homem que enfrenta tempestades, monstros e anos de caminho para chegar em casa ressoou de um jeito que não consigo explicar completamente. O que posso dizer é que aquele livro despertou algo que eu não sabia que ainda existia em mim: vontade de aprender.
O retorno aos estudos e o ENCCEJA
Comecei a ler tudo que encontrava. Fui atrás de outros livros, artigos, qualquer coisa. Aprendi sobre o ENCCEJA — o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos — e entendi que existia um caminho para regularizar minha situação escolar sem precisar voltar para a escola regular.
Estudei sozinho, com materiais que conseguia de graça ou emprestados. Foi difícil. Não tinha rotina, não tinha método, não sabia ao certo o que ia cair na prova. Mas insisti. E passei.
Com o certificado de ensino médio em mãos, comecei a estudar programação — também de forma autodidata, usando a internet como escola. A lógica de programação me atraiu desde o início. Cada problema que o código resolve é um quebra-cabeça, e resolver quebra-cabeças se tornou o que eu mais gostava de fazer.
O nascimento do Simulado Solidário
Quando me tornei programador de verdade, a primeira coisa que pensei foi: como posso usar isso para ajudar outras pessoas que estavam onde eu estive?
A resposta foi o Simulado Solidário. Uma plataforma gratuita de simulados para o ENCCEJA — construída por alguém que conhece de perto a dificuldade de estudar sem recursos, sem tempo, sem apoio. Cada funcionalidade foi pensada para quem trabalha, cuida de filho, mora longe e ainda assim quer conquistar seu certificado.
Não há anúncios enganosos, cursos pagos escondidos nem promessas vazias. É uma plataforma gratuita, feita por uma pessoa real, para pessoas reais.
Onde estamos hoje
O Simulado Solidário cresce a cada mês. Estudantes de todos os estados do Brasil utilizam a plataforma para se preparar para o ENCCEJA. Recebo mensagens de pessoas que passaram no exame depois de tentativas frustradas, de mães que estudavam enquanto os filhos dormiam, de trabalhadores que usavam o intervalo do almoço para fazer simulados.
Cada uma dessas histórias me lembra por que comecei. E me dá energia para continuar.
Se você está lendo isso e ainda não começou a se preparar, saiba: você pode. Independentemente de há quanto tempo está fora da escola, de quantas horas tem no dia, de quantas vezes já tentou. O caminho existe — e o Simulado Solidário está aqui para caminhar junto.